Tudo começou no meu primeiro ano do ensino médio. Era nova na escola e consegui fazer amizades facilmente. Na minha primeira aula de Biologia fiquei encantada pelos estudos. Na aula de Inglês estava despreocupada, afinal já fazia de curso de inglês há bastante tempo. Mas ai começou a primeira aula de Física, e foi nessa hora que pensei: Fudeu! Eu tava tão desesperada que nem dei conta do professor já estava em sala.
Ele escreveu seu nome no quadro negro, que de negro não tem nada, mas enfim. Foi nesse momento que percebi que a Física podia se danar, eu estava apaixonada pelo professor. Pelo seu nome, seu sorriso, seus braços (e que braços, rs). Passei meu primeiro ano inteiro louca por aquele homem. Mas ele era meu professor e eu tinha namorado. Apenas para vos situar: eu era aluna mediana em Física, se a média era cinco eu tirava cinco, se era seis, eu tirava exatamente seis. E prestem bem atenção porque minha nota é uma chave importante nessa história.
No ano seguinte, já livre e desimpedida, fui na cara de pau depois do fim das aulas conversar com ele. Sabe aquele papinho que a gente manda pra professor bonito que está com dúvida em determinado assunto? Pois bem, não fui nem um pouco criativa e mandei essa. Mas dane-se, consegui o que queria, ficar sozinha com ele, rs. Conversa vai, conversa vem, soltei “sem querer” que achava ele um gato e ele por sua vez disse que eu era gostosa. Sai correndo e fui pra casa feliz. Uma semana depois, tomei coragem e fui conversar com ele no intervalo, usando a mesma desculpa (ah, para, com 16 anos eu era uma lezada), rs. Ele me chamou pra irmos para uma sala onde não passava ninguém. E foi naquela sala que aconteceu nosso primeiro beijo, nosso segundo, nosso terceiro. Enfim, ficamos nessa sala durante quase um ano e meio (entre várias idas e vindas, claro, afinal ele começava a namorar e eu também, ai parávamos de ficar, a gente terminava com nossos casinhos e no fim, acabávamos juntos na mesma salinha 3C).
A essas alturas eu já estava no final do terceiro ano, e mega “gamadinha” do meu professor, que aqui, chamarei de Caio. Numa quinta feira, minha professora de Biologia resolveu fazer à louca e faltar (ela tava chapada do dia anterior, foi num show de rock e veio pra casa daqueeeeeele jeito). OBS: Nada contra roqueiros, hein? Enfim, voltando... Resolvi então, fazer uma surpresa para o Caio e fiquei esperando ele na 3C, mas ele não apareceu. Ai é que fudeu, porque resolvi ir ao banheiro e quando voltei à luz da sala estava ligada. Então pensei: Ebaaaaa, ele chegou!!! Quando eu entrei na sala, me deparei com o Caio e com uma biscate do terceiro ano do técnico de Informática. Nooooooooossa, sai de lá correndo, me tranquei em um dos banheiros do colégio e só sai de lá na hora de voltar para casa.
No mesmo dia, ele apareceu na porta da minha amiga. Mas ai vocês se perguntam: Mas que diabo ele vai fazer na porta da sua amiga? E como ele sabia que você estava lá? Calma que eu explico! As terças e quintas eu ia para a casa dessa minha amiga pra estudar, fazer trabalhos e comer vaááááárias caixas de BIS e o Caio sabia disso por que às vezes ele me deixava lá de carro. Enfim, ele foi lá, me encontrou e acabei aceitando conversar com ele. Ele disse que tava com ela há dois meses e que gostava de nós duas. Deixei ele falar e olha que ele falou pra cacete... No fim, só disse que não queria mais saber dele e que pra mim ele era apenas o Caio, meu professor de Física. Eu, ingênua (naquela época, é claro) achei que ele tinha aceitado bem.
Ele realmente aceitou bem, tanto que resolveu apagar do sistema minhas notas ao longo do ano que eram medianas e substituir por 4; 4,5; 3,25 e 2. E só fui descobrir quando fui pegar meu resultado e vi que meu nome tava no muro da vergonha (um quadro com nomes de alunos em recuperação e reprovados). Como naquele tempo eu já era aprendiz de barraqueira, fui lá conversar com o Caio. E ele foi curto, grosso e direto: Fui eu quem alterou suas notas sim e faria de novo. E nem adianta alegar pra direção e pra sua mãe que suas notas não são essas porque todo mundo sabe que o boletim desse colégio é fácil de ser alterado no photoshop. E além do mais, você nunca ficou com suas provas. Então é caso perdido para você, que vai ter que me aturar por mais tempo. Eu tola, fui perguntar o porquê daquilo, ele sínico, sorriu e respondeu que queria ver por mais tempo meus lindos olhos.
Cheguei em casa chorando e minha mãe não entendeu muito, achou que era surto porque tinha ficado em recuperação e ainda tinha um emprego. Sim, com 17 anos, consegui trabalhar como caixa numa loja de shopping como extra natal. Com autorização da mamãe, é claro. Então, dá pra imaginar a correria, né? Acordar às 6 da manhã, ir pro colégio, assistir à aula de Física com o babaca do Caio (sim, naquela altura, ele já não era mais o lindo, tesão, bonito e gostosão do Caio, ele era o idiota do Caio) e ir correndo para a loja.
No dia 21 de dezembro de 2006 fiz a porcaria da prova e sai correndo para o trabalho. Por causa da proximidade com o natal, os professores estavam corrigindo as provas com mais agilidade. E na hora do meu “almoço”, se é que podemos chamar 10 minutos de horário de almoço, rs, fui à escola (que era a 7 minutos de distancia do shopping) para pegar a minha nota. Fiquei tão feliz porque tinha conseguido um 9,5, o que era um fato histórico, já que minha maior nota nessa matéria era 6,5, rs. Não que me orgulhe muito dessa nota mediana, mas era a minha nota, sabe, eu tirei com meu suor de cada estudo, rsrs.
Fui na sala pedir ao Caio para ver minha prova. Eu, incrédula, verifiquei e constatei que realmente aquela nota era a minha. Entreguei o exame para ele e disse: “Olha bem para essa nota, agora olha nos meus olhos. Pois é, são as últimas coisas que você vai ver de mim, seu babaca de merda!” Só tinha um pequeno detalhe: a sala estava cheia de alunos e professores, que ficaram chocados ao ouvir aquilo. Dei as costas e nem olhei para trás.
Voltei para o trabalho e falei a mim mesma, nunca mais ficaria com um maluco feito ele. Aff!!! Ingenuidade a minha. Eu estava apenas começando na estrada das ilusões amorosas. E só pra vocês saberem, o louco do Caio acabou casando com a piriguete de Informática.
É assim que começo me apresentando, eu sou a Maya, a experiente sofredora.

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