sexta-feira, 30 de março de 2012

Exclusão automática

Esses dias eu estava tentando lembrar o dia do aniversário da minha ex-sogra, eu sabia que era depois do meu e no mesmo mês, e como eu faço 4 dias antes de terminar o mês, então era provável que o dela seria em um dos três dias restantes. Eu tentei  lembrar, mas a memória não me ajudava de jeito nenhum.
Então pensei: “se ela ligar no meu aniversário eu pergunto qual é o dia do aniversário dela.”  E ela ligou e eu não perguntei. Na hora fiquei com vergonha, sei lá, achei que seria deselegante da minha parte, já que ela havia lembrado o meu mesmo após 1 ano e 5 meses do término do meu namoro com o filho dela.
Pensei bastante e fui procurar as minhas agendas antigas, não era possível que em 6 anos de namoro eu nunca tenha escrito em algum papel o aniversário dela. E realmente eu não escrevi. Acho que enquanto é a nossa sogra, não damos muita importância, na verdade nem temos um carinho tão grande, mas depois que deixou de ser e pelos acontecimentos que ocorreram, eu percebi o quanto ela gostava de mim e o meu carinho e consideração por ela só foram aumentando.
Depois de revirar o armário atrás de alguma pista, eu pensei: “vou ligar para o falecido (é o meu ex que infelizmente não morreu) e perguntar” . Pronto tudo estaria resolvido, se não pelo o fato de eu não falar mais com ele. De repente um filme passou na minha cabeça e achei isso tão sem sentido, como eu não falava com a pessoa que eu jurei amor eterno, o meu primeiro namorado que eu acreditava ser o príncipe encantado, a primeira pessoa que eu beijei (sim, eu só tinha ficado com ele a minha vida toda ) que eu sonhava em casar e construir uma família. Como isso era possível? Na mesma hora me veio à resposta: “sua idiota, ele te traiu por uma piriguete, por isso você não fala mais com ele.”
Meus pensamentos voltaram ao normal, e a indiferença pelo falecido também voltou, mas junto veio uma sensação estranha de como a vida dá voltas, de como as pessoas entram e saem de nossas vidas. Como o futuro é tão incerto e que hoje estamos com uma pessoa do nosso lado e amanhã a vida (ou uma piriguete) poderá tira-lá do nosso caminho.   
Me bateu uma nostalgia acompanhada de um desilusão tão grande, a primeira de várias que eu sentiria sucessivamente, mas com certeza a maior de todas, pois o que estava em jogo era o meu coração.
Por isso sou a ingênua em desconstrução, depois de ficar tantos anos achando que príncipe encantado existia (pois havia encontrado o meu de primeira), e ter sofrido horrores quando descobri que isso é a maior mentira contada nos filmes infantis.  

Beijos, Mia. 

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